Right to the City: Mobilizing in the Urban Periphery

Thursday, February 5, 2015 2:00pm – 3:15pm
Rechler Conference Room 202, Lavin-Bernick Center (LBC)
Moderated by: Guadalupe García, Department of History, Tulane University

Where Power Technologies Collide: The Production of Violence in Northern Honduras
Leanna First-Arai, Tulane University

In The Production of Space, Henri Lefebvre writes that diversion and appropriation of a given space for a new purpose “call[s] but a temporary halt to domination.” Through the analytical lens of Lefebvre’s work, this paper will analyze gang membership and the symbolic domination of urban space as an act of temporary resistance to the cultural hegemony of globalization. The paper will use one case in particular—MS13 and 18th Street gang activity in the Honduran city of El Progreso—to trace the circulation of people, products and power to and from the city and state, arguing that the resulting violence is a direct legacy of neoliberal reforms and mono-crop agricultural exploitation.

Structuring Political Supremacy around Religious Dominance: Building Tenochtitlan and Mexico City
Julia O’Keefe, Tulane University

Fertile Ground for Mobilization: Urban Family Farms in Rio de Janeiro
Ezra Spira-Cohen, Tulane University

Urban farmers in Brazilian capitals face levels of poverty and underdevelopment similar to rural areas. In addition, they face unique challenges, including environmental degradation, urban sprawl, and speculative real estate investment, which further exacerbate their exclusion from the developing areas that surround them. Family based agricultural production in rural Brazil has benefited from legal and political mechanisms that were created in the 1996 with the Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) and expanded during the 2000s with direct interventions from the Lula government, but family farms in urban and peri-urban areas have been left out of this process. Only recently, policymakers have begun to take heed.
This paper examines how the institutions built to bridge the gap between urban and rural development in Brazil have created barriers for the expansion of family farming at the urban periphery. Building on my experience with the AS-PTA (a vital NGO that promotes urban agriculture) and on an extensive body of Brazilian scholarly work, this paper looks closely at the growth of local farmers markets and urban agricultural production in Rio de Janeiro. My experiences as well as primary and secondary resources suggest that civil society actors (NGOs, community based organizations, and consumer networks) play a key role in articulating and expanding two interactions that are crucial for family farmers. These are 1) government institutions that regulate farming practices and determine eligibility for financing, and 2) the local and regional consumer base. As the interaction between farmers, consumers, and state institutions hinges upon civil society actors, urban family farming becomes fertile ground for mobilizing around alternative models of production and sustainable agriculture practices.

Deep Roots: Cultural Narrative Through Music in Brazil

Friday, February 6, 2015
9:00am – 10:15am
Rechler Conference Room 202, Lavin-Bernick Center (LBC)
Moderated by: Dr. Daniel Sharp, Department of Music, Tulane University

Songs for freedom: identidade racial e cidadania no Brasil (1884-1889)
Manuela Costa, Universidade Federal de Pernambuco

Propomos trazer algumas reflexões sobre participação política de afrodescendentes nos processos da abolição da escravidão e do pós-abolição no Brasil, por meio da análise da trajetória de militância abolicionista do músico Manoel Tranquilino Bastos. As experiências vivenciadas por esse músico de ascendência africana nos permitem pensar em outras possibilidades de lutas políticas e culturais entre os anos de 1884 e 1889. A música foi extremamente importante para a inserção de músicos afrodescendentes nos debates e nas lutas pela cidadania, afirmação racial e inclusão social, que marcaram esse período. As composições de Tranquilino Bastos tornaram-se símbolos da libertação dos escravos e ainda são lembradas nas comemorações da abolição da escravidão no Brasil, podendo ser entendidas como uma opção profundamente ligada às estratégias específicas de luta dos afrodescendentes. Para tanto, recorreremos ao conceito de “cultura política” a fim de resgatar as ações políticas de novos atores, ampliar e renovar as percepções sobre direitos, afirmação racial, cidadania e participação política. Entendemos que a atuação de pessoas comuns – jornalistas, músicos, operários, libertos, “homens livres de cor” e escravos – foi essencial nos processos da abolição e do pós-abolição. O trabalho a ser apresentado se insere exatamente neste contexto, por perseguir a trajetória de um homem comum, propaganda, música e abolicionismo, ampliando a compreensão sobre as lutas políticas e raciais na história social do Brasil.

Negritude Mestiça e fronteiras identitárias: a mestiçagem como vetor da negritude na música popular
Kywza Joana Fideles Pereira dos Santos, Universidade Federal de Pernambuco

A miscigenação no século XIX foi abordada no Brasil sob a influência do racialismo científico e do Iluminismo, com foco nas ambivalências do caráter da miscigenação, ou seja, tanto no viés da degradação da raça quanto no sentido de branqueamento e purificação. Na primeira metade do século XX, ainda em meio a essa ambivalência, o conceito de mestiçagem passa a figurar um projeto populista de identidade nacional, e, principalmente, depois dos escritos de Gilberto Freyre, com a celebração da mestiçagem. É preciso salientar que, a mestiçagem brasileira opera num sentido paradoxal, a celebração e a negação. Dentro dela há uma escala determinante que dita os lugares e papéis sociais, a cor, ou melhor, as nuances dessa cor. No Brasil, o campo das disputas simbólicas em torno das identidades encontrou sua tradução mais fiel na música popular. Nesta perspectiva, destacaremos seu papel na consolidação e subversão da ideia de mestiçagem. A música popular será um grande nicho de disputas, ausências e permanências das identidades racializadas. Ora a mestiçagem será acionada como valorização da cultura e/ou celebração da identidade nacional, ora como afirmação estética ou como crítica à conjuntura de pretensão democrática. Nesse sentido, tentarei, a partir da música popular, vislumbrar as diversas práticas discursivas em torno da mestiçagem através de três intérpretes (e compositores), que têm suas canções marcadas pelos discursos de mestiçagem: Clara Nunes, Martinho da Vila e Gilberto Gil. Desse modo, abordaremos os entrelaçamentos identitários, problematizando questões em torno das concepções de raça, classe e identidade e suas ressignificações no contexto da sociedade de consumo. Nesse contexto, abordaremos os diálogos diaspóricos, através de acionamentos temáticos, que constituem e delineiam os processos culturais transnacionais e trans-étnicos. Para tanto, utilizaremos a obra de artistas situados no nicho do mainstream que extrapolam os entrelaçamentos conceituais, discursivos e poéticos, tensionando as fronteiras identitárias.

“Jequibau – música e identidade paulista”

Daniel Vilela, Universidade Federal do Paraná

Diversos foram os fatores e as investidas ao longo da história brasileira que alçaram o Samba à posição de expressão musical nacional de maior representatividade dentro de um rico quadro multicultural. Diante da valorização deliberada de um gênero em detrimento das músicas locais, manifestações regionais acabaram desestimuladas e passaram a depender de iniciativas pontuais para sobreviverem. Outras, ao apresentarem inovações à vertente musical afro-brasileira que tem por principal expoente o Samba, tiveram que atravessar as desconfianças naturais do público e da crítica conservadora. A Bossa Nova, por exemplo, enfrentou os argumentos mais nacionalistas e xenófobos que a acusavam de promover a americanização da música brasileira, para posteriormente galgar seu espaço definitivo enquanto gênero. No entanto, nem todas as manifestações musicais atingiram o mesmo êxito bossanovista ao proporem inovações à tradição historicamente construída. Este é o caso do Jequibau. Gênero criado por Mário Albanese e Cyro Pereira em meados da década de sessenta, na cidade de São Paulo, o Jequibau se constrói em um compasso quinário (de cinco tempos) que se soma ao típico “balanço” da música brasileira. Contudo, sua divulgação foi prejudicada por um contexto político e social conturbados, pela difícil inserção da música essencialmente instrumental e de caráter inovador na indústria midiática e pelas inevitáveis comparações ao Samba e à Bossa Nova, que geraram as alcunhas de “Samba em Cinco” e “Bossa em Cinco” e lhe atribuíram papel secundário em pesquisas, sendo que meu mestrado é o primeiro a se dedicar exclusivamente ao estudo deste tema. O fato é que o Jequibau surgiu da necessidade, enxergada por seus criadores, de uma expressão musical paulistana que traduzisse e sintetizasse a pluralidade que é a marca da cosmopolita São Paulo. Assim, este trabalho se dedica a refletir acerca de como as características desta cidade são identificadas no gênero, que hoje possui sua data celebrada anualmente em 13 de Agosto.